domingo, 15 de março de 2009

O aliado

Nos vales verdejantes
Dos rios intermitentes
Em terras afastadas
Cresce um negócio

Os que vivem lá perto
A muitas gerações
Que nunca escrevem nada
Colhem aquilo

Colocam em um jarro
Enterram num buraco
E dançam por cima

Depois botam no sol
Durante vários dias
E rezam em volta

Transformam em farelos
e juntam cogumelos
e gotas de sangue
de cada um deles

Depois da cerimônia,
que fazem em jejum,
a moça mais linda
que ainda for virgem
coloca a mistura
num grande cachimbo

E todos eles sentam
em volta da fogueira
Pelados
E ficam conversando
chapados por dois dias
Sem sono

Demora um ano inteiro
pra repetir a fita
e fazem sem remorso
Pois nunca houve choro
E nem ranger de dentes

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