Nos vales verdejantes
Dos rios intermitentes
Em terras afastadas
Cresce um negócio
Os que vivem lá perto
A muitas gerações
Que nunca escrevem nada
Colhem aquilo
Colocam em um jarro
Enterram num buraco
E dançam por cima
Depois botam no sol
Durante vários dias
E rezam em volta
Transformam em farelos
e juntam cogumelos
e gotas de sangue
de cada um deles
Depois da cerimônia,
que fazem em jejum,
a moça mais linda
que ainda for virgem
coloca a mistura
num grande cachimbo
E todos eles sentam
em volta da fogueira
Pelados
E ficam conversando
chapados por dois dias
Sem sono
Demora um ano inteiro
pra repetir a fita
e fazem sem remorso
Pois nunca houve choro
E nem ranger de dentes
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