domingo, 13 de janeiro de 2013

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

"Bolinha de saco"

"Bolinha de saco"

Achei no chão
uma moeda e um grão
Próvelmente estavam juntos
nalgum bolso furado
ou cairam duma mão

Achei no chão meio fresca
apesar do sol recente
vou plantar esta semente
na cloaca de um frango

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

"Taboadas mentais pro futuro"

"Taboadas mentais pro futuro"

Todas as manhãs acordo
com todos os ossos for do lugar
As vezes alguns ossinhos do pé
não saem do lugar

Hoje demoro de 35
a 40 minutos para botar
todo dia no lugar quando acordo,
quando mais novo demorava mais
e assim sucessivamente
Cada osso tem um macête

A metade de cima da coluna geralmente eu arrisco
encaixar só uma sim uma não
daí eu dou uma dependurada que geralmente
volta sozinho

Vísceras malarranjadas,
só no dia seguinte....

Os dentes é osso...

Todas as manhã acordo
com todos os ossos for do lugar
é um problema que eu tenho




quarta-feira, 17 de outubro de 2012

"Poluição noturna" [extraido de ´O Livro da Sêca´]

"Poluição noturna"

Esta noite tive uma polução noturna
o meu corpo está precisando transar.
É triste e desalentador
saber que minha geração está vendo novela, TV e globo
enquanto padeço minha juventude nesta solidão

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

poemas democráticos

"Poemas democráticos"

Petinher chupou um lego
ficou salivinha
e um arroz vestigial
encardindo as reentrâncias
tudo bem

Peor foi Uálter
que mordeu uma pecinha
deformando-a
tudo bem

Peor foi Eleânor
que perdeu uma pecinha
tudo bem

Peor é o dinheiro do contribuinte evadindo por coisas importadas superfaturadas

Peor é quem se aposenta com $ daqui e vai morar fora da américa latina

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

"Corpo velho"

"Corpo velho"

Língua velha
esfarelecendo
cuspo pedacinhos

Unhas velhas
descamantelando-se
encavaladinhas

Bac-térias
embolofetando-se
pelos intestinos

Os automóveis ao sol vivendo
e a sós na garagem eu vendo
passarem
teimoso

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

"Vou dormir com a bunda quente (paçaro me contol)"

"Vou dormir com a bunda quente"

Fui dormir com a orelha quente
de tanto, enquanto, noutra parte,
falarem, com a boca, mal de mim

Vou dormir com a bunda quente
de uma crente do rabo quente
de tanto, noutra parte, ingerirem
com a boca mal de mim

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

"Guardinha mulher"

"Guardinha mulher"

Fui surpreendido
por uma guardinha mulher
Não pise na grama, diziam
seu apito e uma plaquinha
apontada por seu esmalte afiado.
Piso de novo vem me unhar
guardinha mulher
piso de novo vem me unhar
guardinha mulher...

"Filhote de rabo"

"Filhote de rabo"

É uma entidade da floresta
que engravida por encantamento
pode dar seja em homem ou mulher
e a criança nasce pelo cu
geralmente com vômito, caganeira e nojo

Depois a criança fica saudável e inteligente
mas com uma personalidade tal
que a cada dia até o fim de sua vida
merecerá ser chamada
de filho dum rabo

"Desamparo desespecial" e "Transcriação do aramaico em diante"

"Desamparo desespecial"

Ser homossexual não é doença.
Ser gay não é contagioso.
A ser gay, não se aprende nem se ensina.

Ser homossexual é legítimo,
está encontrando aceitação nas novelas,
em logradouros públicos,
e é sentir desejo por um corpo adulto de sexo não-oposto.

Pesado é o fardo do pedófilo,
pois nunca terá com quem transar;
condenado a morrer virgem,
ou impuro.

**
"Transcriação do aramaico em diante"

Ser homossexual não é doença.
Ser gay não é contagioso.
A ser gay, não se aprende nem se ensina.

Ser homossexual é legítimo,
está encontrando aceitação nas novelas,
em logradouros públicos,
e é sentir desejo por um corpo adulto de sexo não-oposto.

Pesado é o fardo do pedófilo,
pois nunca terá com quem transar;
condenado a morrer virgem,
ou impuro.

Em compaixão a eles foi criado o celibato,
e a oração.

domingo, 1 de julho de 2012

"Pela des-não-celulitização do imaginário"

As pessoas belas
teem o compromisso social
de ostentar suas eventuais supostas não perfeições físicas
em nome da descriminalização da suposta não-beleza

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

"O Paraíso pré-adãmico teve que durar pouco porque nele nada acontecia"

"O  Paraíso pré-adãmico teve que durar pouco porque nele nada acontecia"

I
O Paraíso teve que durar pouco
porque nele nada acontecia.
Pois bem, que, dando-se conta disso,
Deus quis, e fez,
acontecer alguma coisa qualquer:
sem importância e que não era boa nem má.

E eis que a repercussão disso
não foi nem pouca nem muita:
foi total.

II
Deus havia criado a complexidade do algo.
Deus havia aberto a caixa de pandora,
pois o algo vai por si só;
ou antes: toda repercussão de cada algo
vai por algo
ou por outro novo algo.

III
O Paraíso teve que durar pouco,
porque nele nada acontecia.
Nada de bem,
nem nada de mal
-"Mas, nada de bem,
em pleno paraíso pré-adâmico?!
Que absurdo!"

Pois um absurdo isso não é lá no Tibet
onde a paz e a vibração do nada pleno é o Bem.
E nesse paraíso, onde nada acontecia,
o Algo, e suas repercussões
que Deus criou foi o mal.

IV
Indo o mal por si só
ou antes, indo o Tudo por si só
o Nada tendeu ao não-mais...
E assim,
como trouxe Prometheus o fogo
ao homem e ficou acorrentado,
trouxe também Deus ao homem
seu derradeiro presente.
Trouxe o "não-por-si-só"
trouxe a não-repercussão
trouxe o não-algo
Trouxe o nada de volta
Trouxe o Bem.

E até hoje,
debaixo do teto da Igreja, reside o Bem.
Pra debaixo,
acorremos a buscar o imutável
amparamos em não-algo constante
pra desacompanhar o mundo mutante
que repercute por si só constantemente.

Dentro desse presente olímpico, o templo
vive Deus vivo
ontem hoje e sempre
e é Ele, e não Jesus,
que lá está acorrentado de braços abertos.
E não é a águia
que dos céus enxerga um rato
no chão e está a lhe comer pra sempre o fígado,
mas somos nós,
que dos céus atentamos aos ratos do chão
estando a lhe comer não somente o fígado a Deus,
mas seus testículos e seus pulmões amém
e que é uno com Jesus que se deu não pra nos salvar
mas se deu o próprio Deus para preservar o nada
eternamente

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

"Boáscara"

"Boáscara"

Me ocorreu que o rosto é um filtro
por onde passa o ar que alimenta a minha vida;
Me ocorreu de procurar estar sempre sorrindo,
pra que o ar entre filtrando na minha máscara
pra que a alma se alimente mais na vaibe.

domingo, 25 de dezembro de 2011

"No futuro não precisa tomar banho em frente aa crise na água"

"No futuro não precisa tomar banho em frente aa crise na água"

No futuro não precisa tomar banho
porque a engenharia genética é deus mas não é pecado
Você dorme numa moita
que fica no quarto ou na sala
de um musgo que fica te microlambendo e sai limpinho
e depois do almoço
tem soneca e sai limpinho também
e se alimenta de células mortas, suór, fedôr
cocô, pum e xixi

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

"Vida certamente"

"Vida certamente"

A vida certamente
deviade ser no contrário
Os cadáveres brotavam
velhos da terra e das minhocas
daí tinha uns 40 anos só pra entendimento
Aí dos 30 aos 10 que sim
pra viver sem trabalhar
e com menos de nenhuma idade
diminuia mais que um feto
pra entrar de volta e entrava
e depois entrava pelo pinto

domingo, 4 de dezembro de 2011

"viajando demudança"

"viajando demudança"

sintoe sacarencia
dedes conhecidos
só viajando demudança
e de que peguem no seu tendão
com os dentes
emvaixoda panturrilha
batalharei pelos lençols agora
bjs

terça-feira, 29 de novembro de 2011

"Dormindo, cagado"

"Dormindo, cagado"

acordei do cu raspado
e muito medo;
mas tinha, dormindo, cagado
em pleno leito

"Mordida de pontinha"

"Mordida de pontinha"

danada pontinha
mordeudedo que a detinha
cometou furaquinhando
blusas meias bermudinhas

"Fica, vai ter bolo"

"Fica, vai ter bolo"

filha, vai ter outro

domingo, 13 de novembro de 2011

"Jejundin Verno!"

sepei dasfe dido; percebes, e só então desculpa-se
está há 2 distâncias de afastar peidares longe!

**
"Nissografia"

Tem isso e
baseados nisso
tem aquele outro



segunda-feira, 24 de outubro de 2011

"Contra os ditames do imperialismo ianque e tanpouco do colonialismo europeu"


"Contra os ditames do imperialismo ianque e tanmpouco do colonialismo europeu"

"Contra os ditames do imperialismo ianque e tanpouco do colonialismo europeu"

e quem não sabe que na índia todas as crianças já viram
alguém que traga cobras num balaio com quem conversa
e põe a mão brincando e mendigando

e quem sabe que com uma emboleira de cobras amigas em casa,
elas comem as lagartixas besouros vespas e pernilongos drosófilas e as de banheiro e baratas e até os ratos
comem tudo,
e ficam numa emboleira que naõ precisa nunca vassourar o chão,
balda-se agua só pura nem sabão
e as cobras se esfregalham tanto que o chão sai seco e limpinho,
e ela come os bichos que ia te picar e não te pica.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

"Dormindo mendigo"

"Dormindo mendigo"

Aqui está uma aberração arquitetônica
aqual muito constrangimento e indisposição causa de manhã ao comércio local
porque sempre fica
dormindo mendigo

terça-feira, 10 de maio de 2011

O Livro da Insônia (EM CONSTRUÇÂO)











O 
Livro 
da
Insonia 










Preâmbulo




bad trip na madruga 
faz parte do arremate.
Árre, erva-mate e café amanhã cedo!
e amanhã o dia inteiro
e numa bola de neve até sábado, 
e as vezes nem isso, nem lá no sábado
terei a paz jazigal
que era para estar tendo desde hoje no exato minuto 
em que minha cabeça deixou de ser produtiva, 
e minha vigília entrou a ser vã e infundada


**


Capítulo 1

"Eu sou dois"

Eu sou dois.
Eu sou um,
e meu organismo é outro,
que conspira contra mim
**
Capítulo 2



**
Capítulo 1 de novo
**
"Penso em desistir"

I

o foda não é não dormir,
o foda é ficar parado, no leito, sem fazer nada
sendo que eu deveria estar dando conta de um monte de tarefas
ao mesmo tempo em que é urgente 
que meu organismo se recupere um pouco 
da vigília perniciosa e mal reparada.
Penso em desistir.
Só posso pensar.
Não posso pensar em outra coisa.
Penso em desistir.

**


II


Será que o sono é realmente importante pro organismo humano?
Ou acreditar nisso não passa 
de acreditar em mais uma das modinhas cartesianas 
que a nossa tão superestimada ciência ocidental cria 
para vender seus estilos de vida comercializáveis?
Descarto:
nada do que seja ocidental
desde a ciência, até a cultura,
nada do que seja ocidental
tem um pingo de respeito
pelo sono humano.
Penso em desistir.
Só posso pensar nisso.
Penso em desistir.

**
Capítulo 2

"Vocação"

Toda noite eu uso uma droga
a mesma droga, e se chama insônia

É uma droga psicoativa
Ela faz mal para meu corpo
e degenera minha mente
na combustão de várias idéias

Ela faz mal para meu corpo
e para minhas relações com a sociedade
torno-me um desajustado
um marginal
persona não grata no sistema
Só penso em desistir


**


"Dívida"

Tem dias que a vida é feliz
Tem dias que a vida é bem triste
Tem dias que é bem feliz
bem feliz mesmo, mas
toda noite eu me lembro
que não vale a pena nem a pau

***
Se minha cabeça foge constantemente
é porque meu corpo não é um lugar confortável
em nenhum instante sequer

**
"Deus enviou seu filho"

Deus enviou seu filho
para nos libertar do pecado original
Ele enfiou a mão pelo céu
para amaldiçoar todos os despertadores
Agora todos podem dormir à vonts
e correr atrás do perjuízo com dignidade

**
Todo insone tem (alg)um quê de metódico
não tem jogo de cintura
para se adaptar constantemente
aas durações aleatórias
que cada dia sorteia para si

**

tudo vale a pena
se a alma não é
pequena, e nem insone.
Se insone, grande que for
nada vale

**
"Sono é uma palavra ruim"

Sono é uma palavra ruim
quantas horas de sono vc tem por dia?
20.
Fora das 21hs até a 4am,
tenho sono todas as outras
e não durmo nenhuma.

**

"Pensando goela abaixo"

Tem vezes que eu nao quero nem ler
só queria dormir
só queria ser capaz
O dom do pensamento
é uma violência
nestes momentos
Pensando goela abaixo,
traição
rejeição
morte

**
"Porquê não mimo?"

Hora de mimir:
porquê não mimo?
Na hora de acordar, acordo
Na hora de trabalhar, trabalho
de pagar meus tributos, pago
na hora de lazer
já tentei lazer
já tentei trabalho
já tentei mimi
porque não mimo?

)_____


Capítulo 3

"E que"

Eu estou
tão cansado não posso dormir
que
não posso dormir
e
não posso dormir

Eu estou
tão-can-sa-do-não-pos-so-dor-mir
que
não posso dormir
e não posso dormir

Eu estou
tão cansa-do-não-po-sso-dormir
que não posso dormir
e não posso dormir

**

regiões no meu ventre, no meu peito
no cerne da minha cabeça, até doem
de tanto sono
mas deito e não durmo
fiz minha parte, porque não durmo?
fiz minha parte?
para dormir basta ter sono?
basta ter, querer, poder, dever, merecer?
o que espera-se de mim?

sábado, 7 de maio de 2011

Os meus dentes 2 - O eterno morder

Certa vez,
os meus dentes,
não se encaixavam mais
...e eu me senti mordendo
minha boca perdeu o repouso
ou estava aberta, ou mordendo

Meus dentes não se encaixavam mais.
O eu encima
e o eu embaixo
já não tínhamos mais em comum

Não é que eu tenha perdido a fome,
mas eu perdi a gula
pois mastigar me enfastiava
tão logo as minhas fomes
não mais me distraíssem
do suplício que era
meu eterno morder

sexta-feira, 6 de maio de 2011

"Legal, mas tem gringos adultos"

É legal mas tem gringos adultos
gringos que teem tevê na sala
São uma nacão decadente,
e que sabem e que sabem
e que o próprio nome já diz
mas que quem diz o próprio nome, são as nossas adolescentes,
de joelhos, e em inglês.

"Bilhetinho número 1"

"Bilhetinho número 1"

Mato-me porque estou ficando velho
e perdendo a vontade de morrer.
Antes que a vontade de viver
a vida me fuja ao meu controle.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

"Cocô picado"

"Cocô picado"

Levo a vida desregrada.
Ando dormindo picado,
comendo picado,
e fazendo cocô picado.

terça-feira, 29 de março de 2011

"Jardinalha"

"Jardinalha"

Arteiro, enfiei o braço pela grade
e o dedo no cu do jardineiro agachado
Jardinando, ficou puto
e agora jardinhalha de costas para o jardim

sexta-feira, 11 de março de 2011

"CLT" (extraído de [O Livro da Sêca])

"CLT"

O meu olho direito
está fisgando há dias.
Arde mais que meu olho esquerdo
de tanto olhar pro monitor.
Já aprendi a mexer no mouse
com as duas mãos
e mesmo assim já dei pt nos meus dois pulsos
Só computador
só computador.
Eu precisava era olhar pruma xoxota
e clicar numa xoxota.
Solitário e com uma puta dor...

"Bundão maior de um lado"

"Bundão maior de um lado"


Inclino-me à lembranças
que tenham um certo viés

"Meter de cueca feia"

"Meter de cueca feia"

Eu curto meter de cueca feia
que ai eu alego vergonha e já tiro ela logo

"Kleber, o teleportista"

"Kleber, o teleportista"

Kleber, o teleportista,
não precisava tomar banho
, pois a sujeira e o chulé não iam junto.

Engranapretou-se vendendo o que não podia
e ficava uma pôça de cocô e gorfo.

sábado, 18 de dezembro de 2010

"O Alan já tentou matar o Ximenez"

"O Alan já tentou matar o Ximenes"

Não foi na praça
não foi no parque.
Foi no pátio
que o Alan tentou matar o Ximenes

sábado, 19 de junho de 2010

"Algumas idéias são mais fáceis de serem tidas em japonês creolo"

"Algumas idéias são mais fáceis de serem tidas em japonês creolo"

No meu português
ninguém nunca disse nada;
foi somente num outro idioma
que caço-me-aram por ser dependente
de uma conjunção adversativa
que viciava meu pensamento
impe-o-dindo voar de o quanto potenci-eu-ava

segunda-feira, 24 de maio de 2010

"Devia ser"

Devia ter a urna eletrônica de quatro em quatro anos
pra votar na seleção
primeiro você vota no esquema tático 4-3-3, 5-4-1, 4-2-2-2, 4-5-1 etc

depois vai preenchendo
"Quem vai na ponta direita?"
romário- 2445
cada jogador tem um cadastro
"quem vai no gol?"-pergunta a urna eletrônica
guilherme-6557

por aqui a fora,

sabia-se de cor e salteado
a própria opinião
(só que agora guardava-se-a em segredo.)

"Passos de formiga"

"Passos de formiga"

As formigas estão comendo as baratas
as formigas já estão comendo as baratas
e os cachorros estão a milênios
comendo só comida de mariquinha

terça-feira, 18 de maio de 2010

"Desejar bundinha"

"Desejar bundinha"

Antes de desejar bom dia
o costume era se desejar bundinha
-"Bundinha pra você, mamãe; bundinha pra você, papai!"
-"Bundinha pra você, filhinho!"

A expressão bom dia
deriva de uma expressão chamada bundinha
-"Bundinha pra você meu bem..."
[beijinho]
-"Bundinha pra você também, meu amor, e bom trabalho!"
-Obrigado!

Nas situações em que hoje se diz
bom dia, boa tarde, boa noite,
na época se dizia bundinha
-"A nossa equipe agradece,
e deseja aos senhores
uma bundinha"

segunda-feira, 17 de maio de 2010

"Parei de usar drogas (agora cultuo o diabo)"

"Parei de usar drogas (agora cultuo o diabo)"

Parei de usar drogas,
o ininterrupto gosto pela vida estava me fazendo covarde.
Parei de usar drogas,
a rigorosa harmonia de meus dias estava esterilizando minha criatividade.
Parei de usar drogas,
o intenso prazer de viver estava me excluindo para a marginalidade das minorias.
Parei de usar drogas,
pois pra mim a paz é pouco,
pra mim o bem não basta.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Diálogos cortêzes

Cavalheiro 1 –“Por favor, caro valheiro,
me daria um minuto?
Não me pode àquele canto
receber em reservado?”

Cavalheiro 2 – “Dito assim,
como não?
Vamos lá.
Pois não?”

Cavalheiro 1 –“Somente o queria ciente
que sua risada
me muito incomoda.
Custaría-le comedimento
se eu estivesse
presente na roda?”

Cavalheiro 2 –“Dito assim,
cavalheiro,
como não?”

Cavalheiro 1 –“Sua própria pessoa me irrita
E me causam desgosto seus modos
Seus gestos, seu tom de voz,
desanimam o meu bom humor.
Não lhe posso pedir que reprima,
nem irás reprimir, que eu sei,
nenhum lado sequer do seu ser,
em nenhum momento sequer.
O ponho, apenas, ciente
de que em ambos estando presentes
desgostoso hei de estar.
Como nunca lhe fiz mal,
imagino se interesse
o seu Subconsciente
estar sempre posto à par.”

Cavalheiro 2 –“Muito bem.
Dito assim, cavalheiro,
muito bom.”

Cavalheiro 1 –“Imagino que agora
talvez lhe possa ofender,
mas pra não lhe ter segredos
digo, sem provocação.
Nada peço, nada tenciono.
Bom seria, me ocorreu,
comer o cu da sua mãe.”

Cavalheiro 2 –“Pois bem, cavalheiro.
Ora, ora, não me ofende.
Tampouco me agrada, é claro.
Tampouco algo muda, contudo,
quanto a como quero vê-lo.
Seria, sem dúvida, injusto
p´ra com quem não quer segredos
arrumar sempre inimigos
por ousar tentar não tê-los.
Vá em paz, meu caro irmão,
mais agora do que antes.
E de mim, nunca duvides,
que o tenho como antes.”

"Aberto até tal hora" / "A velhice"

"Aberto até tal hora"

Os apartamentos acordados
flutuam neônicos na neblina
Era uma neblina expessa
e uma tosse expessa bradava térrea
clamando pelo verão

**

"A velhice"

O que é que essas palavras caretas
estavam fazendo dentro
da maciçamente louca
tinta da minha caneta?

domingo, 25 de abril de 2010

Mais poemnas sobre a impotência

Mais poemnas sobre a impotência

"Educação sexual"

Primeiro
pra mim
meter
era gozar;

logo, meter,
pra mim
era    não  gozar...

Depois, meter,
pra mim, passou a ser
não gozar e dar prazer.

Hoje, pra mim,
meter
é ficar de pinto duro.
E ponto.

**

"Alta incidência de brochas"

O certo era dar um tempo?
ou correr contra o tempo?

**

"Senão difícil"

Quem me comeu
enquanto eu era fácil
me comeu
Agora não sou mais fácil
sou difícil

Ainda bem que deu
pra curtir bem a mocidade
enquanto meu pinto ainda ficava duro

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Frescura

Fico em dúvida se meu corpo merece um papel tão bom.
Rasgo só um quadradinho;
dobro e uso de novo,
dobro e uso de novo.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

"Oração para Jesus"

"Oração para Jesus"

Óh, novo Jesus,
dos novos fiéis,
nos dê boas mentes!
Não atenda a mais ninguém
que peça prosperidade, e que se explodam:
só atenda aos que pedirem boas mentes

quarta-feira, 7 de abril de 2010

O LIVRO DA IMPOTÊNCIA (+ apêndice >2021.i)









"O Livro da Impotência", por Subaco









**











"...mas eu não vou ficar me decepcionando por anos até me conformar:
admito que sou brocha,
e me aposento de minha carreira sexual 
para doravante me dedicar exclusivamente à arte."








 **





Prefácio

Depois da brocha seus olhos se abrem.
Assim como na hora da morte
a sua vida inteira passa diante dos seus olhos,
na hora da morte de seu pênis
a sua vida sexual inteira passa diante dos seus olhos.
Você vai se lembrando dos seus melhores momentos
e se dando conta de que, meu deus, poderia muito bem ter falhado em cada um deles,
poderia ter não vivido cada um desses pedaços da sua vida;
e de repente se assombra desse terrível retroplatonismo,
que é um misto de alívio nostálgico
com um decepcionante frio na barriga de toda negra insegurança do que foi e poderia ter não sido (na figura da musa do prólogo, alegoria que sintetiza o "filme" da EQM) - e de tudo o que ainda não foi que pode continuar sem nunca ser (nas projeções do capítulo único).
No epílogo, o eu-lírico, já completamente assexualizado, analisa uma faceta do tabu do sexo e de suas implicações evolutivas no imaginário de herança cultural, com uma frialdade intolerante e uma antipatia revoltosa só possíveis no império da assexualidade estrita.


**

Prólogo 

________

I

"Declaração de insaciação"

Nunca mais vou tomar banho
e nem escovar os dentes
pra se eu fôr ficar doente
ser das suas bactérias, morêna


________

II

"Esquizofrenîa"

Nenhum
la viu
além
de mim,
'qui querente
q'ela volte.
Mais provável q'ela volte
s'ela for de carne osso ou
se só há'la em minha mente?


_________

III

"esquizofrenîa II"

E quem não é esquizofrênico?.
Por acaso as côres que você vê
são realmente as côres das coisas?.
E os sons que você não escuta?.
. Uma beterraba é mais real
para quem gosta de beterraba
ou para você que não gosta?
:
Não importa, e não importa
se você existe ou não:
nosso coito reina soberano
ne minha melhor lembrança

___

_________________________


**

Capítulo único


I

"Primeira brocha"

E na hora que eu ficar na mão de vez?
Querido diário,
ontem tive minha primeira brocha.
Foi legal até,
(mas bem que poderia ter aparecido uma ereção
por um segundo que fosse...)


__________

II

"Primeira brocha II"

Ái, se eu pudesse



voltar no tempo





e ficar de pinto duro...


_________

III

"Segunda brocha"

Sim, sim,                                                  
por dois pontos passa apenas uma reta:   
Segunda brocha:                                      
posso afirmar                                           
que serei brocha para sempre.                  

Por dois pontos passa apenas uma reta,     
posso afirmar                                            
que se ela não for mais capaz de ficar reta, 
, posso chorar,                                              
porque não passa nunca mais.                  


________

IV

"Terceira brocha"
                  
Oh, quatro ventos!
dos quatro cantos!,
ventai aqui neste pinto mole!, 
 e não para le insuflar vida,
mas para le secar o sêmen
e le disseminar a infâmia!

Oh, quatro ventos!
dos quatro cantos!,
maldigai-me aos quatro ventos
nes orêlhas das mendigas
ás rainhas dos parlamentos
dos quatro cantos do mundo e do planeta
p'ra que a dor da rejeição, até a morte
me ofusque de amargar a pior sorte
su'jacente em um solteiro impotente...

Oh, quatro ventos vindos
dos quatro cantos do mundo,
poupai-me, vós, de uma quarta brocha.


_______

V

"Primeira brocha 3"

Um estranho em minha cama, um inimigo
- um pinto mole.
Uma lagartixa gélida,
e um saquinho gélido gelando minha coxa:
por acaso de minhas cuecas de dormir
repito a mais largona delas
nesses dias de pós brocha.

Um estranho em minha cama, um inimigo
Um ninho de larvas alienígenas
, ou um indolente alienigenazinho humanóide
, pisca os olhos remelentos
, espreguiça os joelhos e vira de bruços, piscando pesado:
Um estranho em minha cama,
um pinto mole


______

VI

"Impotência"

Sái daqui, seu sem podêr.
Sái daqui, seu sem porvir.
Pare de desejar nossas mulheres
, pois as horas são poucas,
os dias em noite são poucos
, e elas, puras criaturas,
não merecem aprender tão cedo
o pêso que pode existir
em cada
pequena
decisão.

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 VII

"Cozy lagartixa"

Meu pinto mole mija bem
como um pinto vivo;
 meu pinto mole mija bem
como um pinto vivo;
meu pinto mole mija bem
como um pinto vivo...
repito eu por entre os dentes,
abraçando forte os joelhos junto ao peito
sozinho quarto madrugada luz acesa
sentado no travesseiro descalço,
pra frente e pra trás suando frio
olhos arregalados pro vazio.
"...meu pinto mole mija bem
como um pinto vivo;
meu pinto mole mija bem
como um pinto vivo...",
tento inutilmente
esmigalhar o osso do joelho com os dentes
tento fender o couro do meu joelho
mas não quero ver sangue
nem sei que existe sangue
-o sangue de que eu tanto precisava estagnado...
as doenças mais terríveis
não decorrem de cortes nem de fraturas expostas-
Não tento arrancar minha perna pela base
pois o desencaixe me parece natural
-minha perna já não sou eu-;
mordo meu joelho com um doentio vigor sexual
chafurdo em saliva e ranho
suor frio e, por fim, lágrimas
quarto vazio e lâmpada incandescente:
minha perna não é outra pessôa...
, meu joelho desfigurado
dói menos que meu choro convulso,
e meu pinto mole
não dói nem chora
nem sente nada.


_______

VIII

"O ano da brocha"

O ano em que todos os coitos
serão sem penetração
sempre sem tração
sem em pé nem ação
empurra e puxa
empurra e puxa
aa duras penas
sempre nem tração
[caneta, papel
risco risco risco
nem mesmo esse poema
vai ficar pronto desta vez]

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Epílogo

"Fêmea desengonçada"

Não seja assim, fêmea desengonçada
não entre em depressão só por ter completos 30 anos
solteirona e sem filhos.

Não seja como as umas
que com 30 anos não desquitam mais
por mero em nome da conveniência.
Só porque você não nasceu para o amor-encantado
não se rebaixe a amargar a ausência também
deste vil amor amálgama
de costume + conveniência
que é ensinado à sua desgraçada raça
e praticado por seus desgraçados irmãos e irmãs.

Esqueça o sexo e, em tempo,
esqueça a beatitude, sem dúvida.
Não acredite no quaternário ciclo da vida
-nasce cresce reproduz morre-
pois o ciclo da vida só é natural para os seres naturais
e o homem que chega a 6 bilhões de indivíduos
já é artificial a muitas gerações.

Esqueça sua cultura, fêmea desengonçada
não acredite nas capas de revistas;
não acredite que as topmodels são bonitas
porque elas são, isso sim, é levinhas demais
, homens desengonçados.

Não sejes fanáticos, raça desengonçada
a pingueponguear de extremo a outro
em sucessivas dialéticas geracionais
não bote fé nas freiras, servîs,
e não reze por filhos a quem servir.

Não repudie a própria desnorma
repudie sim a monogamia dos cartórios
pois a monogamia autêntica é tão minoria quanto o amor-encantado
e o amor-encantado que existe,
caminha mesmo com as pernas
e não com os papéis
(assim como todas as outras, não menos dignas, formas de amor)

Se leminski não tirou RG é porque ele sempre soube muito bem quem ele era.
Se você sonha com cartórios e com papéis é porque nunca se perguntou quem é você
e nem outra pergunta nenhuma.







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Fim de "O Livro da Impotência"

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APÊNDICE 2022 - MC Fofo Calibre - o Embaixador brocha da camisinha



1-
"Lucas sem pênis" (à Lukas Strobel)

Lucas sem pênis
meteu saco
meteu saco
sem pênis meteu saco
Lu-ca-ssem pênis
meteu saco
meteu saco
meteu
Lucas..... 


2-
"Bola dento"

MC Fofo Calibre - o Embaixador brocha da camisinha

Pra que eu seja vetor de saúde, 
a camisinha me foi revelada

Foi-me-lha re-desvelada,
estava oculta e voltou pra casa
voltou pra pica,
igual a parceira - esteve alienada e voltou pra pica.

Voltaram pra torneirinha
se tá dura, é camisinha
se fracassou, eu sei fracassar,
e enrolo a gata no meu papo de adão e eva
que o pau tá mole tem motivo - tá protestando

o pau qué no mé, o pau quer no mel,
quer na baba da beiça
o pau tá mole tem motivo,
meu pau tá querendo no periguinho contigo
mas as cabeças de cima já vetaram o periguinho à priori
sou embaixador da camisinha
então esteja mole também e relaxa comigo
que se ele estralar é bola dentro
*
(botar/pôr)pô pica é arte
sou Michelangelo, eu bato mármore
bota angulo no quadril - a pica corre de ângulo
e mais tarde espelha pro outro lado, mas tem chão
milímetro por milímetro de pika
*

"Embaixador da Metrópole"

São Paulo, bussanha!
Não é interior!
é a porra da Metrópole!
Quantos quarteirões vc consegue meter na capital 
até contrair a primeira deformação genital?

Como embaixador brocha da camisinha,
meto a arte do pau, a arte de fuçar ângulo, fuçar ritmo
a arte de fuçar milímetro com o pau na xota
mas se brochar, sempre poderei dizer: meu pau deu de ficar mole quando ele sabe que vou por camisinha: e eu já falo isso logo pq 
agora vc já sabe mais que os homens


2-
"Num mato sem cachoirro"

Eu sei ser broxa.

Sem pau na mão, lambi lentamente

Num mato sem cachorro, precisei curtir as minas. 
Curtir genuíno. Dates agradabilíssimos.
Risadas conversas, eu s
ei ser broxa.
sem pau na mão.
sem mau na mão.
sem pau no mato 
sem pai nem mãe
num mato sem cachoirro

3-

"Haikai do batima"

lambi como pude, o mais lentamente possível,

pra nunca precisar ficar cansado

desmarcaram dates com minas

pra preferir minha mamada clitoriana

4-
5-
6-




quinta-feira, 1 de abril de 2010

Parta com Deus

"Parta com Deus"

Morava no sítio
eu minha mãe
incontáveis irmãos
um pai velho, sentado,
fumando paiero,
(uma manta jogada
pelo joelho)

Parta com Deus
Parta com Marta

Se matava um porco,
e não tinha arroz
e não tinha feijão
nóis ia na roça,
rancava mandioca,
e comia com carne.
E se dava um verme,
ninguém percebia
(a barriga crescia)
e menas comida se recebia

Parta com Deus
Parta com Marta
Leve o que é seu
E o raio que o parta

Um sexo

E depois de umas semanas me comendo por séculos,
e arregaçando de me lamber por dentro com a língua, com as gengivas e com o lado de dentro do nariz,
então no primeiro dia que ele acordou cedo
ele acordou muito mais cedo de repente
e me disse pondo as calças fumando
que no final das contas eu não passava e uma menina perebenta, com um óculos feio.

(inspirado na cena do banheiro do filme "Mar de rosas" (1977) Ana Carolina)

quinta-feira, 25 de março de 2010

"Racha haxixada"

"Racha haxixada"

Essa ponta tá mais melada do que cona de muler no cio,
disse o mal-resignado resineiro;
"Pode crê", desconversou o japonês, em outra vibe.

Se entenderam no winning eleven, quietos
e dormiram aonde deu

quarta-feira, 24 de março de 2010

Cabeça de jornal

"Cabeça de jornal"

Marchem, formigas,
com passos de formiga
com pernas de formiga
e cabeça de jornal

Persistam, formigas
em casas de formiga
em castas de formiga
e comidas de formiga

Insistam nas fileiras
existam lineares
esqueçam os vetores
floresçam escalares
uns de vocês são mais
outros de vocês são menos
modulem-se apenas num sinal
enquadrem o indistinto eterno limbo
em seus inútetérnos bem e mal

"Astrologênese"

"Astrologênese"

O rei copulava
sob autorização dos astrólogos
para não gerar descendentes retardados.
Assim surgiu a astrologia
e tudo o mais de novidade:
gente poderosa
dando de comer
à gente com vocação
para algo o qual não
existia até então.

"O desequilibrista"

"O desequilibrista"

Eu sou o desequilibrista
Eu não derrubo,
eu deixo cair sem querer
Eu acho massa
É ação e reação
Que o chão aplica no corpo
e o corpo aplica no chão
As vezes quebra,
as vezes amassa,
e eu curto pra caralho
As vezes nada acontece
e eu me sinto aliviado